Não éramos todos macacos?

Por Leo Nerys

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Mais um caso de racismo. Um absurdo. Um crime hediondo. Uma violação aos direitos humanos. Estas são algumas descrições da mídia mainstream para a torcedora que cometeu o crime absurdo de chamar um goleiro de macaco no calor de uma partida de futebol, no meio de milhares de torcedores gritando besteiras, como é de praxe em partidas de futebol. A frescura aparentemente não conhece limites. A moça perdeu o emprego, teve a casa depredada, sofreu represálias em seu meio social e foi pintada como a vilã branca opressora de um pobre coitado. Num país em que são assassinados 50.000 por ano, talvez o problema sejam mesmo os torcedores gritando besteira em estádio. A reação do goleiro foi ridícula, vitimista, oportunista. Promoveu-se impiedosamente em cima da imprudência da torcedora como o oprimido sofredor, apoiado pelo setor político dominante nos meios de mídia responsáveis pela implantação da mentalidade de guerra entre classes e raças (se é que cabe esta definição) no nosso país.

aranhaA torcedora não machucou ninguém, não roubou ninguém, não matou nem estuprou ninguém e, ao que tudo indica, não age de forma racista em sua vida profissional e social regular. Por que então insistir na vilanização da liberdade de expressão? Por que dar a uma torcedora acalorada o status de criminosa, violadora dos direitos humanos, quanto há tanta coisa que merece muito mais nossa preciosa atenção? Porque há grupos de interesses que se locupletam com o sensacionalismo dos casos de racismo. Simples assim.

A maioria das reações (inclusive as da “vítima” do racismo) foram forçadas e oportunistas. Não há uma indignação real, apenas uma indignação em pó instantânea, pouco consistente, seletiva e conveniente para a promoção dos porta-vozes da igualdade racial politicamente correta. Não éramos todos macacos a alguns meses atrás?

Estudos apontam que a vida sem piadas racistas, de português, de torcedor do São Paulo, de loira, de japonês de pinto pequeno e de putaria e pornofonias perde 80% da graça. Apontam ainda que a vida pautada pelas frescuras e reprimendas sociais do politicamente correto pode chegar a perder 110% da graça (pode acreditar nisso!). Que sejamos menos frescos, mais sinceros e adotemos o respeito real entre as pessoas, não um respeito forçado baseado na vilanização de expressões acaloradas e piadinhas inofensivas.

Nota a potenciais autores de processos: Este texto foi escrito por um negro.

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